DISCURSO EM NOME DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL TIMORENSE
(Proferido pelo Pe. Abel Soares)
Missa de Ação de Graças pela Trasladação de Dom Jaime Garcia Goulart
Sé Catedral dos Açores, 8 de julho de 2026
Irmãos e Irmãs em Cristo,
É com imensa alegria e profunda gratidão que, em nome da Conferência Episcopal Timorense, profiro esta mensagem de comunhão fraterna à Igreja Católica Portuguesa. Estamos reunidos nesta histórica Sé Catedral dos Açores para agradecer a valiosa colaboração que tornou real este evento tão marcante e significativo: a transladação dos restos mortais do estimado Dom Jaime Garcia Goulart para Timor, a terra que serviu como pastor em anos passados. Ali será sepultado, na Catedral de Díli, juntamente com os outros prelados cujos restos mortais serão também trasladados de Portugal para Timor no fim do mês de agosto: Dom José Joaquim Ribeiro e Monsenhor Martinho da Costa Lopes. Todos eles descansarão na Catedral de Díli, ao lado de Dom Alberto Ricardo da Silva.
Consideramos que as contribuições desses Prelados marcaram profundamente a identidade cristã e cívica do nosso povo. Estes ilustres pastores dedicaram as suas vidas incansavelmente ao serviço da Igreja e do povo timorense em tempos de profundos desafios históricos. Os seus legados permanecem inteiramente vivos na história e na fé dos timorenses. No momento em que acolhemos o seu regresso à terra que serviram com tanto amor e fervor missionário, reconhecemos que este não é apenas um ato de piedade cristã. É, também, um tempo oportuno de reconciliação com a nossa própria memória histórica, e um gesto de profunda fé e gratidão.
Os dois Bispos e o Monsenhor Martinho deixaram legados pastorais e memórias históricas ao povo timorense que estarão sempre guardados de forma viva, de geração em geração.
Este regresso fortalece, de forma indelével, os laços fraternais que unem os nossos dois povos, o português e o timorense. Agradecemos principalmente ao povo dos Açores, que ofereceu à Igreja e ao mundo um dos seus filhos para ser sacerdote e, mais tarde, bispo em Timor: Dom Jaime Garcia Goulart. Ele foi o Primeiro Bispo da Diocese de Díli, tendo sido pastor, educador e iniciador da missão catequética em Timor.
Hoje, de modo muito especial neste solo açoriano, recordamos com reverência a figura bendita de Dom Jaime Garcia Goulart. Ele foi o primeiro bispo da Diocese de Díli, governando inicialmente como vigário-geral e superior das Missões em Timor entre 22 de janeiro de 1940 e 17 de janeiro de 1941. Nomeado para o cargo de administrador apostólico, funções que exerceu até 11 de outubro de 1945, foi posteriormente eleito bispo pelo Papa Pio XII, governando a nossa diocese a partir de 12 de outubro de 1945 até 31 de janeiro de 1967.
Como primeiro Bispo de Díli, Dom Jaime trabalhou incansavelmente para dar início à nova diocese e reconstruiu-a após a destruição da II Guerra Mundial. Foi ele quem implantou e consolidou a fé católica no território, fundou o pré-seminário de Nossa Senhora de Fátima e o Colégio de Soibada em 1936, as primeiras casas de formação dos futuros líderes, educadores e professores catequistas timorenses. Para eternizar o seu legado, a Conferência Episcopal Timorense atribuiu o seu nome ao Instituto de Filosofia e de Teologia, constituindo-o como patrono desta instituição.
Foram décadas de entrega absoluta, lançando os alicerces da nossa Igreja em tempos de provação e reconstrução pós-guerra. Dom Jaime não foi apenas um administrador; foi o pai espiritual que moldou a alma resiliente do povo de Timor.
Ao celebrarmos esta Eucaristia nos Açores, unimos Díli e Angra num mesmo abraço de oração. Que o testemunho e o legado de Dom Jaime Garcia Goulart continuem a iluminar os caminhos da nossa fé e a fortalecer a nossa comunhão eclesial. Que a sua alma e as almas dos nossos pastores falecidos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.
O povo timorense continua a viver na expectativa do regresso do seu primeiro bispo, para lhe prestar a devida homenagem, oferecer as suas orações e continuar a viver os seus legados pastorais na terra que ele serviu com tanto amor, dedicação e ternura. Prometemos aos familiares e ao povo açoriano que o vosso “filho” não será esquecido; ele continuará vivo, de geração em geração, na alma do nosso povo timorense.
Muito obrigado.

